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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ZACARIAS


                       ZACARIAS
O profeta e o seu meio
A introdução deste livro situa o início da atividade profética de Zacarias, filho de Baraquias, no “oitavo mês do segundo ano de Dario” (1.1). 

Esse monarca persa reinou entre 522 e 486 a.C., e, visto que Zacarias provavelmente tenha profetizado durante pouco mais de dois anos, pode-se estabelecer com bastante exatidão o tempo do seu ministério entre os anos 520 e 518 a.C.

Comparando a data indicada por esse profeta com a registrada no título do Livro de Ageu (Ag 1.1), verifica-se que foram contemporâneos; Zacarias começou o seu ministério apenas dois meses depois, segundo uma cronologia que é determinada pelas informações encontradas nas seguintes passagens: 1.1,7; 7.1.
O livro e a sua mensagem
O Livro de Zacarias (= Zc) tem duas partes bem distintas. A primeira compreende os caps. 1—8; e a segunda, os seis restantes: caps. 9—14.

Os primeiros versículos do escrito (1.2-6) são uma convocação feita aos repatriados do cativeiro babilônico, a quem o profeta exorta ao arrependimento e à conversão: “Tornai para mim, diz o Senhor dos Exércitos, e eu tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos” (v. 3).

 A exortação é seguida de uma série de visões complicadas, cheias de símbolos, de difícil interpretação, algumas vezes; nelas, sob a aparência de um anjo, o Senhor se apresenta ao profeta, dialoga com ele e responde às suas perguntas. Sob um ponto de vista literário, essas visões se assemelham às de Amós e Jeremias (Am 7.1—9.4; Jr 1.11-19).

Os textos que formam a primeira parte do livro são basicamente compreensíveis, apesar das dificuldades resultantes das muitas figuras simbólicas.

 Alguns temas aqui presentes destacam-se de forma especial, tais como o do amor e da misericórdia de Deus para com Jerusalém (1.14,16), o da humilhação das nações (“poderes”) que causaram a dispersão de Judá (1.21), o da eliminação do pecado entre o povo de Deus (5.3-4,8) e o da esperança messiânica (4.1-14). 

A reconstrução do templo recebe atenção especial por parte do profeta Zacarias (1.16; 4.8-10; 6.15); ele, junto com Ageu, anima o povo a retomar as obras interrompidas (cf. Ed 6.14), cuja conclusão redundará em benefício do esplendor de Jerusalém, a cidade escolhida pelo Senhor para nela habitar (2.10-12; 8.3).

Outro tema com que Zacarias se preocupa é a sinceridade na prática do jejum (7.2-14), uma prática cujo sentido pleno de gozo, alegria e festividade solene (8.19) se alcançará quando Jerusalém tiver sido restaurada.

A segunda parte do livro aponta para uma situação histórica diferente. Determinadas diferenças de enfoque da mensagem profética, junto com alguns indícios de natureza cultural (p. ex., o emprego do nome Grécia em 9.13) correspondem melhor a outra época do que a vivida por Zacarias. 

Os pesquisadores opinam que os caps. 9—14 se referem a uma época posterior, provavelmente aos anos de expansão do helenismo sob o governo de Alexandre, o Grande (segunda metade do séc. IV a.C.).

Sem nenhum texto de transição, exceto pela espécie de título com que se inicia esta parte (cf. Ml 1.1), a profecia contempla o triunfo final do Senhor sobre as nações inimigas (12.9; 14.12-15), às quais ele mesmo havia antes reunido para combaterem contra Jerusalém (14.2).

 Este será o castigo da cidade “contra o pecado e contra a impureza” da sua infidelidade (13.1-3). Todavia, Jerusalém será libertada em breve “e Jerusalém será habitada outra vez no seu próprio lugar” (12.6).

 Zacarias proclama o Senhor como defensor do seu povo e de Jerusalém (9.8,15-16; 12.8), anuncia a reunião de todos os que estavam dispersos por diversos lugares (10.6-10), a anexação dos povos pagãos a Israel (9.7; 14.16-17) e o reinado definitivo de Deus (14.9,16).

 Muito significativa é a profecia messiânica sobre a chegada a Jerusalém de um Rei “justo e Salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta” (9.9). 

Os evangelistas Mateus e João manifestavam expressamente que o anúncio de Zacarias se cumpre com a entrada de Jesus em Jerusalém (Mt 21.4-5; Jo 12.14-15).
Esboço:
1. Chamamento a voltar-se para o Senhor (1.1-6)
2. Visões simbólicas (1.7—6.8)
3. Coroação simbólica de Josué (6.9-15)
4. Instrução sobre o jejum. Anúncio da salvação messiânica (7.1—8.23)
5. Castigo das nações vizinhas (9.1-8)
6. O futuro rei de Sião (9.9-17)
7. O Senhor redimirá o seu povo (10.1—11.3)
8. Os dois pastores (11.4-17)
9. A libertação de Jerusalém (12.1—13.9)
10. Vitória final de Jerusalém (14.1-21)



Sociedade Bíblica do Brasil: Bíblia De Estudo Almeida Revista E Corrigida. Sociedade Bíblica do Brasil, 2002; 2005, Zc

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

AGEU


                         AGEU
                O profeta e o seu meio
O profeta Ageu demonstra, no livro que leva o seu nome (= Ag), um interesse especial pela precisão dos dados históricos que menciona.

 Repete datas e notícias (1.1,15; 2.1,10,20) que permitem estabelecer com exatidão o tempo em que começou a exercer a sua atividade: o ano 520 a.C., “ano segundo do rei Dario” (1.1), que governou entre 521 e 485 a.C.

Ciro, o monarca fundador do Império Persa, promulgou no ano 538 a.C. o seu célebre edito (2Cr 36.22-23; Ed 1.1-4) que pôs fim ao cativeiro dos judeus na Babilônia (2Rs 25.1-22).

 Pouco depois, no ano 537, os judeus que haviam regressado a Jerusalém iniciaram com entusiasmo a reconstrução do templo (Ed 1.1-11). 

Entretanto, o fervor inicial logo se apagou; no seu lugar, propagou-se entre as pessoas um profundo desânimo, provocado, em parte, pela precariedade dos meios de que dispunham (1.6) e, em parte, pela intranqüilidade de ter de enfrentar cotidianamente a atitude hostil dos samaritanos (Ed 4.1-24).

 Tais circunstâncias afetaram as obras de restauração do templo, provocando, inclusive, a sua total paralisação (Ed 4.24), ao mesmo tempo em que, em contraste, começavam a aparecer na própria Jerusalém belas mansões particulares de membros ricos da comunidade (1.4).

A situação assim criada, aliada à falta de estabilidade política que reinava no Império Persa desde o ano 522 a.C., fornece o pano de fundo para a mensagem que Ageu tinha de apresentar ao povo e às autoridades mais importantes de Jerusalém: a Zorobabel, governador de Judá, e a Josué, sumo sacerdote (cf. Ed 5.1-2; 6.14).
O livro e a sua mensagem
A profecia de Ageu consiste basicamente em uma exortação a começar sem demora a reconstrução do templo, que não podia permanecer em ruínas por mais tempo, mas devia ser restaurado para a glória de Deus (1.8).

 A ordem procede de Deus (1.8) e não pode ser ignorada sem que disso resultem sérios danos para todos: a seca, a perda das colheitas e a pobreza, que serão os sinais da cólera divina (1.9-11). 

Por outro lado, Deus abençoará e trará uma rápida e perene salvação ao seu povo, se, mediante o esforço de todos, o templo for reconstruído (1.8; 2.6-9; 2.20-23).

A reação positiva de Zorobabel e Josué aos apelos unânimes de Ageu e Zacarias (cf. Ed 6.14) despertou o adormecido entusiasmo popular (1.12-14). 

As obras foram retomadas sem perda de tempo, e, não muito tempo depois, foi possível celebrar com grandes manifestações de alegria a dedicação do santuário recém-restaurado (Ed 6.15-18).
Esboço:
1. Exortação para a reedificação do templo (1.1-15)
2. A glória do novo templo (2.1-9)
3. Repreensão da infidelidade do povo (2.10-19)
4. Promessa do Senhor a Zorobabel (2.20-23)


Sociedade Bíblica do Brasil: Bíblia De Estudo Almeida Revista E Corrigida. Sociedade Bíblica do Brasil, 2002; 2005, S. Ag 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

SOFONIAS


                    SOFONIAS
  


              O profeta e o seu meio

O título desta obra (1.1) relaciona os nomes dos ascendentes de Sofonias até o seu trisavô Ezequias, que alguns identificam como sendo o rei de Judá mencionado em 2Rs 18.1—20.21 (cf. 2Cr 29.1—32.33; Is 36.1—39.8).

 E, com certeza, o nome é o mesmo, e a época em que viveu o antepassado do profeta também parece corresponder à do governo daquele monarca (721-693 a.C.); no entanto, tais coincidências não bastam para se chegar à conclusão de que se refiram à mesma pessoa.

A informação biográfica transmitida pelo livro de Sofonias é que o profeta desenvolveu a sua atividade durante o reinado de Josias, rei de Judá (640-609 a.C.).

 Esta foi a época em que as antigas tradições do povo foram restauradas e freou-se o grave deterioramento que a religiosidade judaica havia sofrido durante os reinados de Manassés e de Amom (2Rs 21); e foi também então que, tendo se descoberto, em 622 a.C., o “Livro da Lei”, Josias empreendeu a reforma do culto de Jerusalém (2Rs 22.3—23.25; 2Cr 34.8—35.19).

Coube, provavelmente, a Sofonias representar um papel importante no processo de rearmamento moral e espiritual de Judá; mas, uma vez que a sua proclamação se encaixa melhor em uma época de depravação e em uma sociedade dominada pelo paganismo e, além disso, visto que não contém a menor alusão às reformas de Josias, é fácil supor que a sua atividade profética deu-se em um período imediatamente anterior à condução da obra realizada pelo rei, talvez entre os anos 630 e 625 a.C.
         O livro e a sua mensagem

A mensagem profética de Sofonias (= Sf) começa com o anúncio de um desastre de dimensões universais.

 O Senhor afirma que, por causa dos pecados de Judá, está para destruir “todas as coisas sobre a face da terra”, tanto aos homens como aos animais.

 Somente se salvarão — “porventura” — os “mansos da terra” (2.3) e os que verdadeiramente procuram agir com justiça (cap. 1). Em uma segunda parte (cap. 2), o oráculo do profeta é lançado mais diretamente sobre os inimigos de Judá. 

O juízo de Deus alcançará as nações pagãs, desde os filisteus habitantes da costa mediterrânea até os assírios da Mesopotâmia. Em terceiro lugar (cap. 3), Sofonias proclama uma mensagem de esperança dirigida ao pequeno resto, os “restantes de Israel” (v. 13), ao “povo modesto e humilde” (v. 12) que houver sobrevivido à catástrofe.

 A este o profeta anuncia “lábios puros” para invocar o nome do Senhor (v. 9) e libertação definitiva de todo cativeiro (v. 19).

O tema central da mensagem de Sofonias é o anunciado “grande Dia do Senhor” (1.7,10,14), tema que já havia despertado o interesse de outros profetas (cf. Am 5.18-20). Sofonias o descreve com pinceladas sombrias: “Aquele dia é dia de indignação, dia de angústia e dia de alvoroço e desolação, dia de escuridade e negrume, dia de nuvens e densas trevas” (1.15). 

Nele haverá clamor, castigo e pilhagem e nele gritarão os valentes (1.8-13). Mas esse dia terrível também porá fim ao domínio da maldade sobre a terra e à indiferença dos que pensam que Deus permanece alheio ao drama da existência humana (1.12).

Esboço:
1. O dia da ira do Senhor (1.1-18)
2. Juízos contra as nações vizinhas (2.1-15)
3. O pecado de Jerusalém e a sua redenção (3.1-20)



Sociedade Bíblica do Brasil: Bíblia De Estudo Almeida Revista E Atualizada. Sociedade Bíblica do Brasil, 1999; 2005, S. Sf 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

HABACUQUE


                     HABACUQUE
               
O profeta e o seu meio
Deste personagem bíblico sabemos apenas que foi profeta e que se chama Habacuque (1.1; 3.1). 

O seu livro, oitavo entre os doze chamados de “profetas menores”, não traz qualquer, ainda que mínima, informação pessoal, nem o seu nome é mencionado em qualquer outro livro do Antigo ou do Novo Testamento.

Com base na referência que se faz aos “caldeus, nação amarga e apressada” (1.6), alguns têm deduzido que Habacuque profetizou em algum tempo próximo à destruição de Nínive (612 a.C.); contudo, devido à falta de qualquer documento que permita fixar a data com exatidão, há também os que pensam que a atividade do profeta deve ser fixada entre o ano 605 a.C., princípio do reinado de Nabucodonosor na Babilônia (cf. Jr 25.1), e 597 a.C., ano da queda de Jerusalém (cf. 2Rs 24.10-12). 

As dificuldades para datar a sua atividade profética aumentam por causa do simbolismo que mais tarde adquiriu a imagem da Babilônia, nome que chegou a ser exemplo máximo de opressão, maldade e violência (cf. Ap 18).
O livro e a sua mensagem
Após o título do Livro de Habacuque (= Hc) em 1.1, a profecia é formada por três seções bem distintas.

A primeira delas (1.2—2.4) é uma espécie de diálogo entre Deus e o profeta. Habacuque clama por causa da violência e da injustiça praticadas diante dos seus próprios olhos pelas pessoas da sua nação (1.2-4); e o Senhor lhe responde afirmando que a maldade será castigada e que os caldeus serão o braço executor do castigo (1.5-11). 

Mas essa resposta torna o profeta ainda mais confuso, pois não compreende como Deus pode valer-se dos cruéis caldeus para invadir e arrasar o país: “por que, pois... te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?” (1.13).

Na segunda parte (2.5-20), Deus convida o profeta a confiar inteiramente nele. Virá o dia em que também os caldeus serão abatidos.

 A sua própria soberba os consumirá quando tiver chegado a ocasião do triunfo da justiça, quando o mau receber o pagamento que merece, ao mesmo tempo em que “o justo, pela sua fé, viverá” (2.4; cf. Rm 1.17; Gl 3.11; Hb 10.38).

O cap. 3 constitui a terceira seção do livro. É uma oração em forma de salmo, composta para cantar a glória do Senhor e para expressar, em uma vibrante linguagem poética, a confiança do profeta na proteção que lhe dispensará o Deus da sua salvação, o Senhor que é a sua fortaleza (3.18-19).
Esboço:
1. Diálogo entre Habacuque e Deus (1.1—2.4)
a. Habacuque queixa-se da injustiça (1.1-4)
b. Resposta de Deus: Judá será castigado (1.5-11)
c. Intercessão de Habacuque (1.12-17)
d. Resposta de Deus: o castigo virá, mas o justo viverá pela fé (2.1-5)
2. Cinco ais sobre os caldeus (2.6-20)
3. Oração de Habacuque (3.1-19)


Sociedade Bíblica do Brasil: Bíblia De Estudo Almeida Revista E Corrigida. Sociedade Bíblica do Brasil, 2002; 2005, S. Hc