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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

ROMANOS


                   ROMANOS
      
Roma
Os mais antigos dados históricos que existem hoje sobre as origens da cidade de Roma remontam ao séc. VIII a.C. 

Naquela época, começaram a povoar-se as sete colinas vizinhas ao rio Tiber, sobre as quais, em um futuro ainda longínquo, haveria de erguer-se a capital do mundo então conhecido.

Aqueles primitivos assentamentos humanos cresceram pouco a pouco, uniram-se entre si, estabeleceram princípios de convivência e assentaram as bases que um dia conduziriam à instauração de um sistema de governo coletivo, conforme o modelo de república que caracterizou Roma entre os séculos VI e II a.C.

À medida em que se afirmava a unidade do Estado, crescia a sua capacidade econômica e militar, de onde se derivou também um forte anseio de possessão territorial que impeliu Roma à conquista de países e à sujeição de pessoas de muitas nacionalidades e línguas diferentes. 

Com o passar dos anos, se fez dona de toda a bacia do mar Mediterrâneo e dos seus territórios circunvizinhos e ainda muito mais além.

Na época de Jesus, a república de Roma havia se transformado em império. E foi em pleno coração daquele Império Romano, em parte admirável e em parte cheio de conflitos e moralmente degradado, onde surgiu a igreja para a qual o apóstolo Paulo escreveu esta epístola, sem dúvida a mais importante das suas do ponto de vista teológico.
Propósito
A Epístola de Paulo aos Romanos (= Rm) tem enriquecido o testemunho de gerações de crentes ao longo da história.

 A profundidade de pensamento do autor põe em destaque a sua confiança na graça de Deus e manifesta a sua vocação e o fervor que o anima; um fervor evangelizador que inspirou acontecimentos decisivos para a história e a cultura da humanidade.

Quando o apóstolo Paulo redigiu esta epístola, a mais extensa de todas as suas, ainda não tivera oportunidade de visitar os crentes residentes em Roma (1.10-15). 

Contudo, a extensa lista de saudações do cap. 16 parece provar que já naquela época contava com não poucos relacionamentos e afetos entre aquele grupo de homens e mulheres que, em pleno coração do império, haviam sido “chamados” para serem “de Jesus Cristo” (1.6).

 Não obstante, é esse conhecimento que e o apóstolo demonstra ter de muitos crentes de uma igreja que nunca havia visitado que tem levado alguns estudiosos a pensarem que o cap. 16, originalmente, não fizesse parte desta carta. Julgam que pode pertencer a outra, possivelmente dirigida a Éfeso, onde Paulo havia estado em mais de uma ocasião e, pelo menos uma vez, durante um longo período de tempo (ver a Introdução a Efésios).

Paulo, muitas vezes, havia se proposto a viajar para Roma (1.9-10,13,15; 15.22-23), para ali anunciar o evangelho (1.15) e repartir com os irmãos “algum dom espiritual”, para que reciprocamente se confortassem “por intermédio da fé mútua” em Cristo (1.11-12). Mas é agora, ao considerar a Espanha como campo do seu imediato trabalho missionário, que vê chegar também a oportunidade de realizar a desejada visita (15.24,28).

Nessas circunstâncias, o apóstolo pareceu entender que a sua presença em Roma contribuiria para superar algumas tensões que estavam surgindo na igreja. Passagens como 11.11-25 e 14.1—15.6 revelam que pairava sobre a comunhão fraternal um sério perigo de divisão, por causa de rivalidades surgidas entre crentes de procedência diferente: uns do Judaísmo e os outros do paganismo (cf. a este respeito At 6.1; Gl 1.7; 2.4).
Data e lugar de redação
Esta epístola foi escrita, provavelmente, por volta do ano 55, durante uma permanência de Paulo na cidade de Corinto. Tanto pelo seu conteúdo como pelas suas características literárias, se assemelha à epístola enviada às igrejas da Galácia. As duas pertencem à mesma época e revelam interesses doutrinários semelhantes. 

O que não se sabe é qual delas foi escrita primeiro. Por isso, alguns vêem em Romanos uma exposição ampliada, muito refletida e serena, da breve epístola aos Gálatas, enquanto que outros pensam que Gálatas é uma espécie de síntese polêmica e veemente da epístola aos Romanos.

De qualquer forma, ambos os escritos devem ser considerados a partir de uma perspectiva comum, posto que, em definitivo, se trata da transmissão de uma mesma mensagem que inclui conceitos fundamentais idênticos: o domínio do pecado sobre todos os seres humanos (Rm 1.18—2.11; 3.9-19, cf. Gl 3.10-11; 5.16-21), a incapacidade da Lei de Moisés para salvar o pecador (Rm 2.12-29; 3.19-20; 7.1-25, cf. Gl 2.15-16; 3.11-13,21-26), a graça de Deus revelada em Cristo (Rm 1.16-17; 3.21-26, cf. Gl 2.20-21; 4.4-7), a justificação pela fé (Rm 3.26-30; 4.1—5.11, cf. Gl 2.16; 3.11,22-26; 5.1-6) e os frutos do Espírito (Rm 8.1-30, cf. Gl 5.22-26).
Conteúdo e estrutura
Quanto à estrutura literária, Romanos se divide em duas partes principais: a primeira é propriamente doutrinária (1.16—11.36); a segunda, de exortação (12.1—15.13).

 Contém, além disso, uma introdução rica em conceitos teológicos (1.1-15) e uma conclusão que completa o texto com um grande número de notas de caráter pessoal (15.14—16.27).

Os temas tratados em Romanos são teologicamente densos, mas Paulo os expõe de um modo ameno e torna fácil a sua leitura introduzindo vários recursos estilísticos: diálogos, perguntas e respostas, citações do Antigo Testamento, exemplos e alegorias. 

A seção doutrinária é a mais extensa. Paulo reflete sobre o ser humano, dominado pelo pecado e incapaz de salvar-se pelo seu próprio esforço.

 Afirma, como o salmista (cf. Sl 14.1-3; 53.1-3), que todos, tanto judeus como gentios, “pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (3.23); que somente Deus pode salvar os pecadores e que o faz por pura graça, “pela redenção que há em Cristo Jesus” (3.24).

O tema da fé e a sua importância para a reconciliação do pecador com Deus se estende de 3.21 a 4.25

Em uma linguagem jurídica magistralmente utilizada, o apóstolo introduz termos como “lei”, “mandamento”, “transgressão”, “justificação”, “graça” e “adoção”. 

Mas os apresenta sob a nova luz da liberdade e paz oferecidas em Cristo ao pecador que se arrepende, com quem Deus quis estabelecer um definitivo relacionamento de amor e de vida (5.1—8.39).

Os caps. 9 a 11 constituem uma unidade temática que se destaca do resto da epístola. Aqui, Paulo nos revela a sua íntima preocupação porque Israel não chegou a compreender que “o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (10.4).

 No entanto, o apóstolo está convencido de que Deus nunca abandonará o seu povo escolhido (11.1-2), visto que “os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (11.29). Israel será restaurado (11.25-28), porque Deus terá misericórdia dele como também teve dos gentios (11.11-24,30-32).

A segunda parte de Romanos começa em 12.1. É uma exortação para viver segundo a lei do amor, um apelo à fé e à consciência cristã. 

Todo crente é chamado a pôr em prática essa lei, seja dentro de uma congregação de fiéis (12.3-21; 14.1—15.13), seja nos relacionamentos com a sociedade civil (13.7-9) ou com as autoridades e altas magistraturas do Estado (13.1-7).

A fé precisa manifestar-se na autenticidade do amor. Portanto, a fé se opõe a qualquer atitude de soberba pessoal ou coletiva. A jactância e o menosprezo ao próximo não correspondem com a solidariedade, que resulta do amor e á testemunho dele (12.1—15.13).

A partir de 15.14 até 16.27 se desenvolve o epílogo da epístola. É uma extensa e cativante relação de observações pessoais, recomendações e saudações dirigidas a uma série de fiéis, de muitos dos quais se faz constar as virtudes que os adornam.

 Paulo une às suas as saudações de alguns dos seus colaboradores, como Timóteo e Tércio, que escreveu a epístola, e também de alguns parentes, como Lúcio, Jasom e Sosípatro (16.21-22). 

O cap. 16 não registra somente saudações e recomendações, mas dedica também as suas últimas palavras para animar os seus leitores e para afirmar a vitória reservada aos que confiam no poder de Deus (“E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés”, v. 20).

Finalmente, uma esplêndida doxologia encerra a epístola com chave de ouro (16.25-27).
Esboço:
Prólogo (1.1-15)
1. Salvação somente pela fé (1.16—11.36)
a. Anúncio do tema: O justo viverá pela fé (1.16-17)
b. A indesculpável pecaminosidade humana (1.18—3.20)
c. Justificação mediante a redenção efetuada por Cristo (3.21—4.25)
d. A nova vida de liberdade do justificado pela fé (5.1—8.39)
e. A incredulidade de Israel (9.1—11.36)
2. Exortações: A justificação pela fé aplicada à nova vida (12.1—15.13)
a. Em amor autêntico (12.1-21)
b. Em submissão às autoridade instituídas por Deus (13.1-14)
c. Sem menosprezo ao irmão mais fraco (14.1—15.13)
Epílogo (15.14—16.27)
Os planos evangelísticos do apóstolo (15.14-33)
Saudações, recomendações e doxologia final (16.1-27)



Sociedade Bíblica do Brasil: Bíblia De Estudo Almeida Revista E Corrigida. Sociedade Bíblica do Brasil, 2002; 2005, Rm

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

ATOS DOS APÓSTOLOS


       ATOS DOS APÓSTOLOS

      Autor e propósito final do livro
A única obra que em todo o Novo Testamento se apresenta como continuação de outra é Atos dos Apóstolos (= At).

 O autor, identificado tradicionalmente com Lucas (ver a Introdução a esse Evangelho), não quis dar por concluído no seu primeiro livro o relato “dos fatos que entre nós se cumpriram” (Lc 1.1), mas, no seu segundo volume, recompilou a informação que teve ao seu alcance sobre os inícios da propagação do Cristianismo.

Praticamente, Atos começa no ponto em que termina o terceiro Evangelho. Depois de uma introdução temática (1.1-3), que inclui a dedicatória a Teófilo (cf. Lc 1.3), o autor situa a narração no cenário de Betânia (Lc 24.50), onde à vista dos seus discípulos “foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos” (At 1.9).
Conteúdo
O acontecimento da ascensão aparece marcado para Lucas pela afirmação de Jesus “e ser-me-eis testemunhas” (1.8). Sob o signo dessas palavras irá desenrolar-se a história inteira da Igreja nascente. 

A ascensão assinala o começo da atividade do Espírito Santo na Igreja, a qual é edificada sobre o fundamento da fé em Cristo e guiada adiante até a sua plenitude gloriosa de novo povo de Deus.

O título Atos dos Apóstolos, que não foi posto no texto pelo seu próprio autor, mas pela Igreja do séc. II, não corresponde em todos os seus aspectos ao conteúdo da narração. 

Com efeito, o livro só ocasionalmente ocupa-se com o grupo dos Doze (incluído já Matias, de acordo com 1.26). A sua atenção não se dirige aos apóstolos em geral, senão em particular a determinados personagens, especialmente ao apóstolo Pedro e, sobretudo, a Paulo.

Os trabalhos e discursos de Pedro e de Paulo são os principais centros de interesse de Lucas. 

O seu propósito é documentar os primeiros passos da difusão do evangelho de Jesus Cristo e o modo pelo qual o Espírito de Deus dava impulso naquele tempo ao crescimento da Igreja “tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (1.8).

Jerusalém é o lugar onde começa a história da atividade apostólica. Ali é onde se congrega e organiza a Igreja-mãe; ali se dão as primeiras manifestações do Espírito Santo; ali morre Estêvão, primeiro mártir da fé cristã; ali se escutam as primeiras mensagens evangélicas, e dali partem os primeiros enviados a anunciar fora dos limites palestinos a mensagem da salvação.

 A esses acontecimentos e ao desenvolvimento da comunidade de Jerusalém aparece estreitamente vinculada a pessoa de Pedro.

No entanto, mais interessado ainda se mostra Lucas na figura de Paulo, o missionário, o homem que foi capaz de renunciar aos seus antigos esquemas mentais e religiosos para, de todo o coração, proclamar a Jesus Cristo diante de quantos quiseram escutá-lo (At 13.46; ver Rm 1.16; 1Co 9.20; Gl 2.7-10). 

A fé e a vitalidade de Paulo representam para Lucas a energia interna do Evangelho, que em breve e de forma irresistível haveria de alcançar o coração do Império Romano. 

A chegada de Paulo a Roma (28.11-31) põe ponto final a Atos dos Apóstolos, um drama velozmente desenrolado que partiu com ímpeto de Jerusalém poucos anos antes.

Divisão do livro
O conteúdo do livro admite diversas análises, baseadas nos movimentos dos seus personagens mais importantes. A partir dessa perspectiva histórico-geográfica pode-se dividir o relato em três etapas diferentes:

Primeira etapa: Jerusalém (2.1—8.3). Depois da ressurreição e da ascensão de Jesus ao céu (1.4-11), Jerusalém é cenário da formação do núcleo cristão mais antigo da história (1.12-26). Ali veio sobre os discípulos o Espírito Santo no dia de Pentecostes (2.4), e ali se deram os primeiros passos para a organização da Igreja (2.41—8.3).

Segunda etapa: Judéia e Samaria (8.4—9.43). A perseguição contra os cristãos desencadeada após o martírio de Estêvão (6.9—7.60) obrigou muitos deles a saírem de Jerusalém e a se dispersarem “pelas terras da Judéia e da Samaria” (8.1). Esse fato veio a favorecer a propagação do evangelho, que já por aquele tempo havia alcançado diversos pontos da Síria e Palestina (4.4-6,25-26; 9.19,30-32,35-36,38,42-43).

Terceira etapa: “até aos confins da terra” (10.1—28.31). (a) Deus, no caminho de Damasco, havia chamado Saulo de Tarso (7.58; 8.1,3; 9.1-30; 22.6-16; 26.12-18), para fazer dele “um vaso escolhido para levar” o nome de Jesus aos gentios (9.15).

 Por outro lado, os crentes “que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia” (11.19), e desse modo abriram-se as portas ao evangelho em lugares até então totalmente pagãos.

(b) Paulo empreende a sua atividade missionária. No transcurso de três viagens, percorre territórios do sul e oeste da Ásia Menor, penetra na Europa pela Macedônia e chega até a Acaia (13.1—14.28; 15.36—18.22; 18.23—20.38). 

A sua passagem está marcada pelo nascimento de novas igrejas, de que ele é, primeiro, fundador, e depois, mentor e conselheiro e com as quais mantém um cordial relacionamento, seja em pessoa ou por escrito.

(c) Ao término do seu terceiro percurso apostólico, regressa a Jerusalém (21.1-15), em cujo templo é preso (21.27-36).

 Os últimos caps. de Atos descrevem com especial detalhe os incidentes da viagem de Paulo a Roma, aonde o conduzem para ser julgado perante o tribunal imperial, a que ele havia apelado fazendo uso do direito que lhe outorgava a cidadania romana (22.25-29; 23.27; 25.10-12).

 O livro conclui com a chegada do apóstolo a Roma e o início da sua atividade naquela cidade (28.14-31).

O autor de Atos manifesta-se em ocasiões como testemunha presencial do que está relatando.

 A narração utiliza então a primeira pessoa do plural: “nós” (16.10-17; 20.5—21.18; 27.1—28.16), de modo que o escritor inclui-se entre as pessoas que acompanham o apóstolo no seu trabalho.
Estilo literário
O estilo de Atos é elegante e rico em vocabulário. Lucas possui um notável domínio da gramática e dos recursos lingüísticos do grego de seu tempo (koiné) e, inclusive, do clássico (ático). 

Talvez o conjunto da sua obra seja representativo dos primeiros esforços realizados para apresentar a fé cristã aos níveis mais cultos da sociedade romana.
Lugar e data da composição
Não existem dados que permitam precisar a data nem o lugar da composição deste livro. Muitos pensam que foi publicado uns vinte e cinco ou trinta anos depois da morte de Paulo, aproximadamente durante a década dos anos oitenta.
Esboço:
Prólogo (1.1-26)
1. Pregação do evangelho em Jerusalém (2.1—8.3)
a. O primeiro Pentecostes cristão (2.1-42)
b. A vida dos primeiros cristãos (2.43—5.16)
c. As primeiras perseguições (5.17—8.3)
2. Pregação do evangelho em Samaria e Judéia (8.4—9.43)
3. Pregação do evangelho aos gentios (10.1—28.31)
a. Atividade de Pedro (10.1—12.25)
b. Primeira viagem missionária de Paulo (13.1—14.28)
c. A assembléia de Jerusalém (15.1-35)
d. Segunda viagem missionária de Paulo (15.36—18.22)
e. Terceira viagem missionária de Paulo (18.23—20.38)
f. Prisão de Paulo e viagem a Roma (21.1—28.31)



Sociedade Bíblica do Brasil: Bíblia De Estudo Almeida Revista E Corrigida. Sociedade Bíblica do Brasil, 2002; 2005, At

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

JOÃO


JOÃO

Propósito
João, o autor do quarto Evangelho, manifesta com admirável concisão o propósito que o move para escrevê-lo. 

Como que dialogando figuradamente com os seus futuros leitores, explica-lhes que os sinais milagrosos feitos por Jesus e recolhidos “neste livro... foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20.30-31).

 Esta é, em resumo, a intenção que guia o evangelista a coligir também o conjunto de ensinamentos e discursos reveladores da natureza e razão de ser da atividade desenvolvida por Jesus, o Messias, o Filho unigênito (1.14), enviado pelo Pai para tirar “o pecado do mundo” (1.29) e para dar vida eterna a “todo aquele que nele crê” (3.13-17).

O autor do Evangelho de João (= Jo) apresenta-se, tal qual João Batista, como uma testemunha viva da revelação de Deus. Deus nunca foi visto por alguém (1.18), mas agora deu-se a conhecer por intermédio do seu Filho (19.35; 21.24. Cf. 1.6-8,15). 

Encarnado na realidade humana, o Cristo preexistente e eterno veio conferir à nossa história um novo sentido, uma categoria que excede a toda a nossa capacidade de compreensão e raciocínio. Disso, João Batista prestou um testemunho precursor no começo do ministério público de Jesus.

 Agora, o faz João, o evangelista, a partir da perspectiva do Cristo que vive apesar da morte, do Senhor que, com a sua morte, venceu o mundo (16.33) e que é vida para todo aquele que o aceita pela fé (11.25-26).

A lembrança do Ressuscitado está sempre presente no coração do autor deste Evangelho, como, sem dúvida, ela esteve em cada um dos discípulos que acompanharam o Senhor durante os dias da sua existência terrena (Cf. 2.17,22; 12.16; 14.26; 15.20; 16.4).

 E o acontecimento da ressurreição é como uma linha luminosa que percorre o Evangelho de João desde o princípio até o fim e permite contemplar a figura única e irrepetível do Messias Salvador.

Mais que oferecer uma biografia de Jesus no sentido estrito que hoje damos à palavra, João pretende introduzir o leitor numa profunda reflexão acerca da pessoa do Filho de Deus e do mistério da redenção que nele nos tem sido revelado. 

Em Cristo manifestou-se o amor de Deus, e, por meio dele, o crente tem acesso às moradas eternas (14.2,23), isto é, a uma vida de comunhão com o Pai.
Particularidades do Evangelho
O ponto de partida do quarto evangelista para as suas considerações sobre o Messias não é o mesmo que o de Mateus, Marcos e Lucas. 

João busca outros enfoques, de maneira que, freqüentemente, se refere a situações e eventos ou inclui palavras, ensinamentos e discursos de Jesus não testificados pelos sinóticos. 

Isso permite supor que, provavelmente, João, contando com alguma fonte de informação própria, tenha podido ampliar determinados dados conhecidos e transmitidos por aqueles, admitindo-se sobretudo que, de acordo com o critério mais amplamente aceito, a redação do quarto Evangelho teve lugar depois da aparição dos outros três, em datas próximas ao final do séc. I.

Um aspecto singular deste Evangelho é o persistente interesse em fixar os lugares dos acontecimentos.

 E curiosamente, enquanto Mateus, Marcos e Lucas dão maior atenção às atividades de Jesus na Galiléia, João fixa-se de modo especial nos fatos que têm lugar em Jerusalém (mas cf. Jo 2.12; 4.43-54; 6.1; 7.9).

 Ao mesmo tempo enfatiza que determinadas festas do calendário judaico parecem marcar os momentos escolhidos pelo Senhor para entrar na cidade: a Páscoa (2.23; 11.55), a Festa dos Tabernáculos (7.2), a Festa da Dedicação do templo (10.22) e, inclusive, uma festa não referida com precisão (5.1).

Essa relação simultânea de Jesus com Jerusalém e com as festividades judaicas é um dos elementos de composição que contribuem a dar ao texto deste Evangelho o seu colorido peculiar. Mas não é o único, pois existem outros traços igualmente característicos que é necessário ter presentes. Destacamos entre eles:

(a) A linguagem simbólica (p. ex.: o Verbo: 1.1; a água: 7.37; o pão: 6.35; a luz: 8.12).

(b) As imagens tiradas do Antigo Testamento (p. ex.: o pastor e as ovelhas: 10.1-18; cf. Sl 23; a videira e os ramos: 15.1-6; cf. Is 5.1-7).

(c) As referências culturais ou à natureza humana (p. ex.: as bodas em Caná, a personalidade de Nicodemos, a mulher samaritana, o cego de nascimento).
Autor
Detalhes como os indicados caracterizam o autor como um autêntico judeu, profundamente religioso e bom conhecedor das tradições e das expectativas do seu povo; mas um judeu que encontrou em Jesus de Nazaré o Messias esperado, o Salvador e Senhor, “de quem Moisés escreveu na lei e de quem escreveram os profetas” (1.45; 12.34,38-40; 15.25).

 No entanto, não contamos com muito mais informação acerca da pessoa deste evangelista. Dir-se-ia, melhor, que o mesmo deseja ocultar a sua identidade por trás de um anonimato apenas rompido quando se refere àquele discípulo “a quem Jesus amava” (13.23; 19.26; 20.2; 21.20), de quem em 21.24 se diz que “testifica dessas coisas e as escreveu”.

 A tradição que atribui o Evangelho ao filho de Zebedeu, a “João, seu irmão” (de Tiago) (Mc 3.17) remonta ao séc. II.

Conteúdo
No decorrer dos anos têm sido feitos diversos esforços para estabelecer de algum modo a cronologia dos acontecimentos referidos no quarto Evangelho ou para agrupar logicamente os seus elementos literários. Como é evidente que o propósito de João não foi redigir uma crônica, mas criar uma atmosfera de reflexão que conduza o leitor à fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, a composição do livro também deve ser considerada desse ponto de vista.

Por outro lado, aquilo que se torna claro num primeiro contato com o texto é a sua divisão em duas grandes seções. Delas, uma chega até o final do cap. 12 e está centrada no ministério público de Jesus; a outra, que compreende os caps. 13—21, narra o acontecido em Jerusalém durante a última semana da vida terrena de Jesus, incluindo a sua paixão e morte e a sua ressurreição.

O conjunto de caps. que forma a primeira seção do livro abre-se com um Prólogo (1.1-18) que, com ressonâncias de Gn 1.1, exalta a encarnação da Palavra de Deus, eterna e criadora, na pessoa de Jesus, o Cristo.

 Junto a outros assuntos, o Evangelho se refere aqui a um total de sete milagres ou sinais realizados pelo Senhor para manifestar a sua glória e para que os seus discípulos cressem nele (2.11; 4.48; 5.18; 6.14; 9.35-38; 11.15,40). São os seguintes:

1. A conversão da água em vinho (2.1-11)
2. A cura do filho de um oficial do rei (4.46-54)
3. A cura de um paralítico (5.1-18)
4. A alimentação de uma multidão (6.1-14)
5. Jesus caminha sobre as águas (6.16-21)
6. A cura de um cego de nascença (9.1-12)
7. A ressurreição de Lázaro (11.1-44).

Com respeito a esses atos milagrosos é importante sublinhar o que também se percebe em primeiro lugar na intenção do evangelista, isto é, o seu propósito em destacar o sentido profundo desses milagres como manifestações da atividade messiânica de Jesus. 

Para dar realce a esse enfoque contribuem os diálogos e discursos que em diversas ocasiões acompanham o relato dos sinais (assim em 5.17-47; 6.25-70; 9.35—10.42; 11.7-16,21-27).

A segunda parte do livro mostra Jesus no seu confronto com os poderes públicos, representados particularmente pelas autoridades religiosas dos judeus. 

Encabeça a seção o lavamento dos pés dos discípulos e a predição da traição de Judas (13.1-30); logo depois há um longo discurso dirigido aos discípulos (14.1—16.33), concluído com uma oração conhecida como “sacerdotal” (17.1-26).

 Os caps. 18—19 contêm o relato da prisão, julgamento, morte e sepultamento de Jesus; e os caps. 20—21 são o testemunho que João presta da ressurreição de Jesus e das diversas aparições do Ressuscitado.
Esboço:
Prólogo (1.1-18)
1. Ministério público de Jesus, o Cristo (1.19—12.50)
a. João Batista (1.19-34)
b. Jesus começa o seu ministério (1.35—3.36)
c. Revelação de Jesus como o Cristo e confronto com as autoridades judaicas (4.1—6.71)
d. Revelação de Jesus como a luz e a vida para o mundo (7.1—12.50)
2. Paixão, morte e ressurreição (13.1—21.23)
a. A última ceia (13.1—17.26)
A ceia. O novo mandamento. Discursos de despedida (13.1—16.33)
A oração sacerdotal (17.1-26)
b. Prisão, julgamento, morte e sepultamento (18.1—19.42)
c. A ressurreição (20.1—21.23)
O sepulcro vazio (20.1-10)
Jesus aparece a Maria Madalena (20.11-18)
Jesus aparece aos discípulos (20.19—21.23)
Epílogo (21.24-25)



Sociedade Bíblica do Brasil: Bíblia De Estudo Almeida Revista E Corrigida. Sociedade Bíblica do Brasil, 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A RIQUEZA ESPIRITUAL




                              

                             A RIQUEZA ESPIRITUAL





TEXTO: Apocalipse 3:17 ao 19.
 

            Riqueza espiritual é diferente da riqueza física e a forma de conquistá-la é de igual modo muito diferente, não vamos esquecer que esta palavra foi direcionada a uma igreja que ficava na cidade de Laodicéia, uma cidade da Província Romana da Ásia, ficava próximo das cidades de Colossos e Éfeso, era uma cidade muito rica, a igreja que ficava nesta cidade era constituída de pessoas abastadas, ricas, e a igreja não tinha nenhuma necessidade, os irmãos faziam grandes contribuições e se orgulhavam de ter uma comunidade próspera, mas a realidade espiritual era muito diferente.           

            A realidade espiritual daquela igreja era muito miserável, quando o Deus olhava para aquela comunidade via pobreza e miséria espiritual mesmo sendo muito prósperos financeiramente. O Senhor os advertiu do orgulho deles em se acharem ricos e abastados e revelou a sua condição de pobreza lhes dizendo que estavam miseráveis, pobres, cegos e nus, não tinham se quer a capacidade de enxergar ou de sentir suas misérias.           

            O Senhor Jesus os aconselhou a comprarem dEle ouro provado pelo fogo para que fossem enriquecidos, a comprar vestes brancas para vestirem e não ficassem expostos e ungir os seus olhos com colírio para que pudessem ver com a visão espiritual.           

            Quero expor aos queridos estes três aspectos necessários para termos uma riqueza espiritual e não ficarmos confiantes nas riquezas frágeis desta terra.
           

1.      O primeiro aspectos é o ouro provado pelo fogo, o que seria isso?           

            Para entendermos o que para o Senhor é riqueza vamos recordar o que o Senhor Jesus falou lá em Mateus 6:19, nos aconselhando a priorizarmos os tesouros do céu, tesouros eternos, onde ninguém irá tirar de nós. Esses tesouros provados pelo fogo não são desta terra e nem podem ser comparado com nada nesta terra. Esse tesouro ou riqueza pertence somente aos filhos de Deus que receberão como herança e reinarão com Cristo. 

            Entenda que um tesouro provado pelo fogo é permitir-se depender de Deus, entregar-se ao cuidado dEle, e sofrer as provações pelo amor de Cristo, não é fazer voto de pobreza não queridos, mas é independente da sua situação financeira ou social depender de Deus e viver a vontade de Deus em toda sua vida, não confiando nas riqueza deste mundo que são passageiras. Mas sempre confiando em Deus que tem cuidado de nós. 1 Pedro 5:7.
           

2.      O segundo aspecto são as vestes brancas, o que significa isso? 

            Qual é a função de uma roupa? Certamente é cobrir o corpo. Para comprar uma roupa é muito simples, basta ir numa loja escolher o vestuário e comprar, mas para comprar uma roupa espiritual que simboliza uma sua situação espiritual diante de Deus e de todo o mundo espiritual é diferente, você pode esta usando roupas caras, luxuosas e extravagantes, mas, está nu no mundo espiritual e totalmente exposto ao agir do maligno.           

            A vestimenta é um símbolo da sua vida espiritual, de como anda sua comunhão com Deus, a palavra de Deus nos adverte a termos cuidado com nossas veste espirituais, Apocalipse 16:15, existem irmão nosso em Cristo que estão com suas vestes manchadas pelo pecado e existem aqueles que estão nu e completamente exposto ao ataque do Diabo.           

            Uma veste banca simboliza santidade, para se conseguir uma veste branca é necessário arrependimento, todos os dias temos que nos arrepender de nossos pecados que cometemos diariamente, em Eclesiastes 9:8, temos um conselho maravilhoso que diz "em todo tempo sejam alvas as tuas vestes...", temos que ter a preocupação de manter as nossas vestes sempre brancas. Em Apocalipse 22:14, diz que temos que lavar as nossas vestes no sangue do cordeiro para termos direito a arvore da vida.
 
3.      O terceiro aspecto é o colírio para os olhos, o que não estamos vendo e precisamos enxergar? 

            Muitos se gloriam de serem visionários, de terem uma visão muito clara e realista da vida, mas estão indo em direção do inferno, estão totalmente cegos, e pior do que isso, estão guiando outros cegos para o abismo. Em Mateus 15:14, nos adverte que se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.           

            A cegueira espiritual é pior do que a cegueira física, pois esta te impede somente de ver, mas os outros sentidos estão funcionando normalmente, mas a cegueira espiritual bloqueia todos os sentidos, cria uma ilusão que na verdade é uma escravidão no entendimento, existem espíritos malignos que estão atuando para que essa pessoa não consiga entender o que está acontecendo no mundo espiritual.           

            Muitas vezes nos impressionamos com nossos pastores pela visão espiritual que eles têm, eles conseguem ver muito claramente no mundo espiritual o que está acontecendo, o que o maligno está trabalhando, o que Deus está trabalhando, qual é a vontade de Deus.

            Essa visão espiritual é dada pelo Espírito Santo e para desfrutarmos dessa visão temos que ter uma comunhão com Deus através de oração e leitura da palavra, temos que permitir que o Senhor se revele a nós, é exatamente como se ele tivesse colocando colírios em nossos olhos. 

            E para finalizar esta mensagem quero dizer aos amados que como filhos de Deus temos que nos importar muito mais com as riquezas de Deus, as riquezas de sua graça, os tesouros do céu que são eternos. Quero muito que Deus lhe abençoe grandemente em nome do Senhor Jesus Cristo.

 

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@ Paulo da Cruz Ribeiro
Manaus, AM 06 de janeiro de 2013
IDPB Monte Horebe
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